16 de setembro de 2009

Meus olhos são teus olhos

Meus olhos são teus olhos,
Cor de púrpura dos sonhos
Em que te vejo abraçado a mim.
E porque amanhã não existe cor,
Mas o breu da solidão,
Dou-te meus olhos vítreos e revoltos
Para que os vistas de luz.
Vê além da dor, vê além de mim,
Do corpo oco que habito.
Escolhe este silêncio com que te banho.
Escolhe mais daquilo que sou
E olha-me, vê-me.
E porque amanhã não existe amor,
Deixo-te somente meus olhos ao devir da fortuna
Que roda, roda e roda, contrária ao meu ardor.
E porque amanhã só existe dor,
Teu olhar longínquo é minha única dádiva,
Na fria cor que são meus dias,
Das palavras que dirias,
Com meus olhos em teus olhos.


Rita Pacheco
(15/09/2009)