Meus olhos são teus olhos,
Cor de púrpura dos sonhos
Em que te vejo abraçado a mim.
E porque amanhã não existe cor,
Mas o breu da solidão,
Dou-te meus olhos vítreos e revoltos
Para que os vistas de luz.
Vê além da dor, vê além de mim,
Do corpo oco que habito.
Escolhe este silêncio com que te banho.
Escolhe mais daquilo que sou
E olha-me, vê-me.
E porque amanhã não existe amor,
Deixo-te somente meus olhos ao devir da fortuna
Que roda, roda e roda, contrária ao meu ardor.
E porque amanhã só existe dor,
Teu olhar longínquo é minha única dádiva,
Na fria cor que são meus dias,
Das palavras que dirias,
Com meus olhos em teus olhos.
Rita Pacheco
(15/09/2009)
4 comentários:
Ritinha:
Só tu vais entender.
"Aceito teus olhos.
E quero ajudar a vesti-los de luz."
Beijos
António Manuel
Caro António,
Muito obrigada pelo seu apoio constante. Vamos lá ver se isto chega ao papel! :-)
Rita
Só estou à espera de um telefonema teu.
Vamos ao "papel"..., tem outro cheiro e a poesia outro sabor!!!
Beijo
António Manuel
...passei e reli.
Sempre com enorme prazer
Saí mais contente!!!
Beijo
António Manuel
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