21 de fevereiro de 2007

Pela janela

"Peguei no meu coração/ E pu-lo na minha mão/ Olhei-o como quem olha/ Grãos de areia ou uma folha./ Olhei-o pávido e absorto/ Como quem sabe estar morto;/ Com a alma só comovida/ Do sonho e pouco da vida." Fernando Pessoa, 1913






Como pela janela
Tudo se torna tão bom...
Como assim os sonhos
Se tornam reais...!
Pela janela te tornas possível
E teu toque, propositado...!
Como pela janela, teu sorriso
É longo e teu abraço, eterno...
Pela janela, o sonho é verdade
Como a chuva que cai e corre
Para o rio...
Mas o tempo passa e cada gota que cai
É um sonho...
Sonho que é chuva
Que cai sem cessar,
Sonho que morre quando
Chega ao mar.


Rita Pacheco
(2000)

7 de fevereiro de 2007

Pensei um poema sem sentido

"A poet is a nightingale who sits in darkness and sings to cheer its own solitude with sweet sounds" (Shelley)


Pensei um poema sem sentido.
Que palavras incultas posso eu dizer?
Que conflito me escorre o sangue...
Saber o que não tenho,
E o que não tenho, perder.


Rita Pacheco
(9/7/2003)

2 de fevereiro de 2007

Aguardo

"Olho em volta de mim. Todos possuem-/ Um afecto, um sorriso ou um abraço./ Só para mim as ânsias se diluem/ E eu não possuo mesmo quando enlaço." Mário de Sá Carneiro (Excerto de "Como eu não possuo")


Aguardo.
Em silêncio aguardo um som,
Uma palavra, uma existência.
Aguardo na esperança de
Alcançar os segredos da noite.
Pela janela, viajo cores, sabores,
E, de algures, vejo um sorriso.
Infinitamente disperso-me em
Fragmentos.
E percorro existências cheias de cores.
Aos poucos, sou uma asa
Que só lá fora se corporiza,
Mas que se quebra perante
O som da razão.
E nesta espera, tudo o que escuto
Não passa de um murmúrio.
Então, deixo a janela
E volto à simplicidade
Das poucas cores dos meus dias.


Rita Pacheco
(18-21/10/2006)