24 de novembro de 2006

Tuas palavras violeta

"Hoje vou fugir contigo/ Vou levar-te a lugares que só eu sei (...)/ E talvez consigas à primeira/ Respirar o azul que o céu tem/ E no fim vais perceber/ Que os dias são mais curtos/ Quando estamos juntos." in Quando o Verão Acabar, José Rui Teixeira


A noite veste-se de magia e perfeição,
Carrega-se de um denso luar
Quando chega o suspiro de
Uma palavra violeta
Que anseia voar.
É a noite do refugiar dos medos,
Sorrisos, anseios azuis...
E um toque que teme, nervoso,
Agarra para si as impressões tácteis,
As curvas de um sorriso
Que a alma liberta.
Os lábios trementes unem-se
Num beijo onde a noite sopra
A chuva que nos aconchega.
E tuas palavras violeta cobrem
Meu corpo de um tímido aroma
Que finalmente sorri.


Rita Pacheco
(30/12/2003)

17 de novembro de 2006

Voar

Olho lá fora o vento que passa e,
Sem cessar, questiono meu crente ser.
A porta abre-se à brisa das imagens,
Mas nada meus olhos conseguem ver.

O ar esvoaça toda a minha mente,
Aquela que ousou um dia acreditar.
Sou lágrima que nem o vento seca,
Sou ave que apenas solo pode tocar.

Ousei voar e minhas asas quebraram.
Nunca o azul tocou meu mar!
Já nem os sonhos têm cor;
Resta o escuro de uma noite sem luar.

Sonhei, mas nunca o aroma foi sentido.
Voei, e a queda foi fatal.
E aquele vento levantou meus pedaços
De coração ferido, negro e mortal.


Rita Pacheco
(10/7/2003)

10 de novembro de 2006

O mar cantou de azul

O mar cantou de azul
Aos sons do que quero ser
E sei que sou aos sonhos,
Às coisas que quero ver.

Escolho as nuvens deste beijo,
Aqueles sons que sei escutar.
E ainda há algo que desejo,
Algo que quero ainda olhar.

E só a mente divaga aos lugares
Que à distância aprendo a ver.
E lá abraço os segredos
Das flores que irei colher.

Às noites, sussurro quem fui
E até onde queria estar,
Mas sei que é mesmo só um sonho
Que ainda não sei alcançar.



Rita Pacheco

(22/3/2006)