Saltaste.
Ignoraste
o mundo que te comprimia os sentidos e
Saltaste.
Sugaste
os metros que interrompiam
Teu
corpo e o chão.
Saltaste.
Viraste
cor de fogo, dragão voador,
E
agora caminhas inerte, invisível,
Livre
do vento, livre do tempo
E
do silêncio.
Saltaste.
E
comprimimos nos nossos corpos
A
tua bravura e cobardia,
A
culpa do não entendimento.
Saltaste,
e mais não somos do que mudez
E
incerteza pela névoa que és.
Saltaste
E
chegaste ao fim do teu mundo,
Deixando
acabado o mundo dos outros,
Neste
chão duro e cinzento em que viraste vapor.
Rita
Pacheco
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