12 de julho de 2007

O tempo ergueu-se em muralhas

“(…) e não me aprazia ser daqueles que, por levantarem ou baixarem a cabeça, denunciam uma expectativa idiota. Que temos nós a esperar para temermos tanto o desapontamento?” (in O Fim da Aventura de Graham Greene)


O tempo ergueu-se em muralhas
Escondendo o rubor de sua fronte
Esquecida na sua imensidão.
O vento aninha-se às manhãs
Perfurantes e esguias
E deixa a luz esquivar-se
Ao amontoar das ruínas do silêncio.
Ocultei-me num desejo
Que não me vê,
Um sonho que ignora a sua cor.
A música das cores esgueirou-se
E voaram suas pétalas.
A luz apressa-se para o escuro
E as flores não chegam a florir.
E o amanhã é sempre o mesmo,
E a frescura daquela montanha
Não se alcança.
É noite e o tempo parou.
E aconchego-me nesta inércia,
Sempre rodeada de muralhas,
Voando sem sair do chão.


Rita Pacheco
(14/3/2007)