12 de julho de 2007

O tempo ergueu-se em muralhas

“(…) e não me aprazia ser daqueles que, por levantarem ou baixarem a cabeça, denunciam uma expectativa idiota. Que temos nós a esperar para temermos tanto o desapontamento?” (in O Fim da Aventura de Graham Greene)


O tempo ergueu-se em muralhas
Escondendo o rubor de sua fronte
Esquecida na sua imensidão.
O vento aninha-se às manhãs
Perfurantes e esguias
E deixa a luz esquivar-se
Ao amontoar das ruínas do silêncio.
Ocultei-me num desejo
Que não me vê,
Um sonho que ignora a sua cor.
A música das cores esgueirou-se
E voaram suas pétalas.
A luz apressa-se para o escuro
E as flores não chegam a florir.
E o amanhã é sempre o mesmo,
E a frescura daquela montanha
Não se alcança.
É noite e o tempo parou.
E aconchego-me nesta inércia,
Sempre rodeada de muralhas,
Voando sem sair do chão.


Rita Pacheco
(14/3/2007)

3 comentários:

Anónimo disse...

Sinto o teu estar e o ser...
Tão bem traduzido em Poesia.

Parabéns por tratares tão bem as palavras.

Um beijo
António Manuel

lena disse...

Rita, trilhei alguns caminhos para vir saborear poesia, a tua

adorei ler-te, um saber estar muito belo em poesia

e partilho um momento contigo, num brincar de palavras:


entro no tempo sem tempo
chamo tarefa à vida,
presença tangível
feita de pedaços meus

carrego palavras
promessas, segredos
e silêncios coloridos
desenhados na saudade

abraço o vento
como uma sinfonia de amor
e deixo-me envolver por ele


l.maltez


o meu abraço, onde vai o respeito que mereces, poeta linda

lena

Rita disse...

Lena e António,

Muito obrigada por me fazerem sentir que vale a pena continuar, ainda que por vezes o coração queira desistir.
Lena, muito obrigada pela Luz das tua palavras no poema que me deixaste.

Beijinho,
Rita Pacheco