Sugas-me a vida,
Arrancas-me tudo o que sou.
E viro espectro que se contorce
Arrancas-me tudo o que sou.
E viro espectro que se contorce
No vazio, no escuro.
Tiras-me a alma
Que se perde, esvaziada de luz.
Sou sombra que se anula
Nas longínquas quimeras.
Apago-me perante as vidas
Que me rodeiam.
No fundo de mim,
As folhas já não dançam,
A música parou.
Sugas-me o tempo
Que não passa d'um fio quebradiço.
Arrancas-me o ar
E já não respiro, não existo
Senão no vazio.
Tiras-me o paladar do sonho
Que se esfuma no ar.
Sugaste-me a história que construí
E já não sou o mesmo corpo.
Arrancaste-me das mãos o futuro
Onde havia esperança ainda.
Tiraste-me a luz de um sorriso
E, ao olhar para mim,
Não sou mais nada
Senão um corpo inabitado de espírito.
Rita Pacheco
(29/3/2007)
1 comentário:
...que transparência!
A tua poesia de excelência trata as palavras com uma qualidade difícil de definir...
A Alma fica a nu e vemos a Pessoa...
Parabéns por tão rica Poesia...
Quando conversamos?
Um beijo
António Manuel
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