13 de agosto de 2007

Sugas-me a Vida

Sugas-me a vida,
Arrancas-me tudo o que sou.
E viro espectro que se contorce

No vazio, no escuro.

Tiras-me a alma

Que se perde, esvaziada de luz.



Sou sombra que se anula

Nas longínquas quimeras.

Apago-me perante as vidas

Que me rodeiam.

No fundo de mim,

As folhas já não dançam,

A música parou.


Sugas-me o tempo

Que não passa d'um fio quebradiço.

Arrancas-me o ar

E já não respiro, não existo

Senão no vazio.

Tiras-me o paladar do sonho

Que se esfuma no ar.


Sugaste-me a história que construí

E já não sou o mesmo corpo.

Arrancaste-me das mãos o futuro

Onde havia esperança ainda.

Tiraste-me a luz de um sorriso

E, ao olhar para mim,

Não sou mais nada

Senão um corpo inabitado de espírito.



Rita Pacheco

(29/3/2007)

1 comentário:

Anónimo disse...

...que transparência!
A tua poesia de excelência trata as palavras com uma qualidade difícil de definir...
A Alma fica a nu e vemos a Pessoa...
Parabéns por tão rica Poesia...

Quando conversamos?

Um beijo
António Manuel