20 de outubro de 2006

Borboleta


Pensei que era borboleta
Dançando ao som do vento
E que o verde aceitara
O frágil tom das minhas asas.

Pensei voar gritando que sou livre
Ou que o ar se fundiria c’o que sou.
Imaginei brindar co’a luz um nascimento
Quando fosse pousar em todas as cores.

Todas elas aguardam meu voo
E minhas asas parecem não ceder
Ou quebrar perante o mundo,
Pois sou borboleta e sei voar.

Porque tudo vejo e tudo abraço,
Lançando beijos e sonhos pelo ar!
Oh, não fosse tudo isto mesmo um sonho
De que acordo ainda presa ao casulo.

Não houve ainda o nascimento
Ou o voar naquele azul.
E todo aquele mundo não é meu
Porque não se completaram as asas.

E permaneço crisálida, agrilhoada
Apenas porque penso.
E enquanto penso, não faço,
Não sinto, não sou, não voo.


Rita Pacheco
(3/5/2006)

1 comentário:

Isa e Luis disse...

Deixa a tua alma voar...

beijinhos

Isa