1 de outubro de 2012

Um dia



"E assim em entrei no mundo destruído, procurando a visionária companhia do amor, cuja voz paira um instante no vento (precipitando-se não sei p'ra onde), mas não o suficiente para suster cada afeição desesperada" (in "The Broken Tower" de Hart Crane)


Um dia
Vou amar-te com o coração,
Vou soprar os teus anseios, 
Dar-te a mão.
Um dia vou buscar
A brancura indelével dos teus sonhos,
A simplicidade que carregas 
No teu corpo.
Os corpos verdejantes 
Que encerram os teus olhos
Serão dia, serão vento.

Um dia
Terei coração para amar,
Serei sombra do teu tempo, 
Serei vida que tu sentes,
Serei gente ou momento.

Um dia
Vou amar-te com o coração,
E não serei o corpo definhado
De quem nunca sorri.
Serei mais que o som da solidão,
Serei fogo, serei som,
Serei vida, serei dom.

E quando o tempo se acabar
Acabou.
Idos vão os tempos em que o sonho durou.

Rita Pacheco
(Setembro 2012)

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