30 de dezembro de 2010

Sopro

“Quando dormes e te esqueces, o que vês? Tu quem és? Quando eu voltar, o que vais dizer? Vou sentar no meu lugar. Adeus, não afastes os teus olhos dos meus. Isolar para sempre este tempo. É tudo o que tenho para dar. Quando acordas por quem chamas tu? Vou esperar. Eu vou ficar nos teus braços. Eu vou conseguir fixar o teu ar, a tua surpresa. Adeus, não afastes os teus olhos dos meus. Eu vou agarrar este tempo e nunca mais largar. Adeus, não afastes os teus braços dos meus. Vou ficar para sempre neste tempo. Eu vou, vou conseguir pará-lo, vou conseguir pará-lo, vou conseguir. Eu vou conseguir guardá-lo. Eu vou conseguir ficar.” (“Adeus, não afastes os teus olhos dos meus”, de David Fonseca)


Sinto teu rosto desvanecer-se
Da ponta dos meus dedos…
Já respiras, lá longe, já vives.
E eu, no negrume da ausência,
Que disseste ser maior que a distância,
Permaneço dançando a memória
Ao som de ti.
E abraço-te mais uma vez
Nas noites de outrora.
E ao som da tua voz, mescla disforme
De saudade,
Afagas-me o pensamento
Como se a vida fosse em mim,
Como se fosse capaz de amar.
Dos dias que se fizeram anos,
Os anos viraram vida,
Longe de ti, sempre, sempre…
E vivendo a eternidade da ausência,
Sei que não sou em ti.
Vem e pousa teus olhos em mim
E num sopro dir-te-ei amor,
Serei novamente teu esboço
Neste tempo eterno
Em que és memória em mim.

Rita Pacheco
(30/12/2010)

2 comentários:

helderpoliveira disse...

Fico completamente colado aos teus poemas... Espero que continues a escrever, para eu poder continuar a ter o prazer de os ler...

Bjo Grande,
Hélder

Anónimo disse...

Li, reli, treli...
Li, admirado...
Reli,extasiado...
Treli...e parei!!!
voltarei cá para "beber" a mensagem...;o sopro que transporta em palavra o que só um poeta é capaz de dizer.
Beijos, Ritinha
(António Manuel)