“Over the Sea and far away, she’s waiting like an iceberg, waiting to change. But she’s cold inside, she wants to be like water” (in “Other Side of the World” da KT Tunstall)
És tu?
És tu que me salvas deste vidro cortante?
Desta dormência que se prende ao meu corpo?
Quem me desperta deste tempo sonâmbulo,
Deste gelo que me cobre o pensamento?
Tu? É teu corpo que almejo como sopro
Que me irá despertar deste sono que não é meu?
E tu? Quem és tu senão fruto do meu anseio?
Permaneço gélida e inerte aguardando,
Aguardando-te, vento de vida desperta
Que me agarra a existência pela mão.
Tu que me enlaças no repouso do tempo
E me amas no silêncio da aurora. És tu.
E tu… tu não existes porque eu não existo,
Porque o vento que me abraça o corpo
Me gelou e desfaleci,
Quebrou-me e já não vivo.
Rita Pacheco
(14/4/2009)
1 comentário:
De interrogação em interrogação se constrói o poema...
Poema que gostaria tanto de o ouvir "declamado"...hoje, dia mundial da voz!
Parabéns...
Um beijo, Rita
António Manuel
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