13 de fevereiro de 2008

Esquecimento

Pensei que as ruas tivessem parado
Porque no ar só o silêncio se escuta.
Julguei que os rios cessassem
De fluir
E que o vento tivesse sucumbido
Ao tempo.
Achei que o sol se havia esquecido
Que teria de se levantar.
E tudo o que via era um tempo
Disforme e esquecido,
Formas contorcidas de dor.
Julguei que o espelho havia congelado
As imagens, os reflexos de outrora.
E só se escuta o silêncio
Que dolorosamente se propaga pelo ar.
E não foi porque as ruas pararam
Ou porque o tempo deixou de fluir.
Foi porque as pessoas se calaram
E, mais uma vez, se remeteram
Ao esquecimento.


Rita Pacheco
(7/11/2006)

1 comentário:

Unknown disse...

Quando ando por essas ruas, por essas vielas perdidas, por vezes, demasiadas vezes me assolam assim sentimentos. Muito bem colocado em palavras.