28 de setembro de 2006

Leva-me o rio

Leva-me o rio de um sabor
Que não sei.
Tento afastar o murmúrio do opaco
E perco a razão do que sou.
Não sei silêncio mais vago, mais sem cor.
Perdi o sentido da essência
E só a noite me dá os trilhos,
O brilho de uma noite que não será.
Espero e o vazio nada me traz,
Nada me mostra.
Sigo linhas de um sabor que não me quer
E apareço só à monotonia das coisas.
Serei algo que não vale a pena?
Quero fundir-me com o rio
E fugir, chegar ao mar.
Os sonhos apertam-me a ideia
E não sei o que ser.
Corta-me o silêncio e não sinto,
Não sei, não me quero.
Desapareço num grunhido de dor
Que se mistura no ar
E persegue a noite.
Nem um só sentido brota como um beijo
Brota de uns lábios.
São perdidos os rumos que me alcançam.
E, simplesmente, não pareço existir
Ou saber o que mostrar.


Rita Pacheco
(23/2/2005)








Fica aqui um sincero agradecimento ao Luís Gaspar que se disponibilizou a ler o poema “Esquissos” no seu audioblog (http://www.estudioraposa.com/index.php?id=125). Escutá-lo foi realmente uma experiência muito reconfortante. Obrigada por me ter contemplado com a sua voz e por ter permitido que eu fizesse parte do seu “Lugar aos Outros”.

2 comentários:

RD disse...

Lindo poema, Rita!

Vês o que tu fazes Luiz? :-)

Rita disse...

Muito obrigada,Rui.

Beijo,
Rita