"Não sei quanto tempo fomos,/ Nem sei se te trago em mim,/ Sei do vento onde te invento, assim./ Não sei se é luz da manhã,/ Nem sei o que resta em nós,/ Sei das ruas que corremos sós,/ Porque tu deixas em mim tanto de ti,/ Matam-me os dias, as mãos vazias de ti." (Pedro Abrunhosa)
Desenho mil vezes teu beijo em meus lábios
Nas noites que molda o vento meu corpo
E, infinitamente, vejo-te junto a mim.
Prendes-me em teus braços
Prolongando assim nossos corpos
Num longínquo abraço apertado.
E desenhas meu rosto numa tela invisível,
Um infinito tracejado de sentimento.
Penso em ti, ainda,
Ancorada a um passado
Que de tão longe,
Parece presente.
Vejo ainda teu corpo desenhado no meu,
As noites em que confessámos silêncios
Nas asas do anjo.
E com o esboço do teu corpo em meu corpo,
És o vento que se molda a mim.
E quando o silêncio se alia à distância,
Não somos mais que um sonho,
Recordação pintada à mão,
Imortalizada pela memória.
Rita Pacheco
(18/10/2007 a 3/1/2008)
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