29 de novembro de 2007

Espectro

Espectro caminho nas madrugadas,
Onde a luz ainda não é luz
E faço de mim carne
Num abraço que o dia acorda.

Naquele horizonte desmentido,
Deambulo dedilhando teu corpo,
Vendada pelo vago círculo
Que te cobre o rosto.

E ao esquecer o dia, esqueço quem sou.
Ditoso tempo em que não me observo
(Porque não me avalio).
De manhã… aguardo outra noite.

E espectro regresso às madrugadas
Onde o dia ainda não é dia,
Onde faço de mim gente
Enquanto a luz da janela não me cega.


Rita Pacheco
(21/8/2007)

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