Como se elevam as árvores
Com este majestoso vento!
Sem tréguas, varre respirações,
Os odores que se esfregam nas copas.
Entendo a perfeição desta dança,
Música de silêncio que balança
Os corpos com vigor.
É uma sinfonia de membros esguios
Que não permitem aos companheiros,
Solidão.
Aquece o ar e o vento desenha
A mistura das cores,
Uma tela que aguarda a chuva
Para arrefecer os pensamentos.
E a janela espreita.
Sussurra o vento algum segredo?
E porque me traz este pensamento?
Percebo a solidão da árvore sem par,
Aquela que nem o majestoso vento alcança,
Aquela que não dança,
Aquela que o Outono escolheu
Para lhe tirar a Primavera.
Perco o sentido do vento,
Porque já não o sinto pegar-me a mão,
Para me fazer dançar, para me elevar
No corredor das palavras.
Esqueci.
Rita Pacheco
(8/10/2004)
3 comentários:
As árvores elevam-se como se eleva a tua poesia...
...não esqueças que há sempre uma mão para te pegar.
um beijo
antónio manuel
lindissimo:)
participa em www.luso-poemas.net, VAIS ADORAR:)
beijinho
António e João,
Muito obrigada pelas palavras encorajadoras. São um incentivo forte para continuar.
Beijo,
Rita
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