28 de outubro de 2007

Como se elevam as árvores

Como se elevam as árvores

Com este majestoso vento!

Sem tréguas, varre respirações,

Os odores que se esfregam nas copas.

Entendo a perfeição desta dança,

Música de silêncio que balança

Os corpos com vigor.

É uma sinfonia de membros esguios

Que não permitem aos companheiros,

Solidão.


Aquece o ar e o vento desenha

A mistura das cores,

Uma tela que aguarda a chuva

Para arrefecer os pensamentos.


E a janela espreita.

Sussurra o vento algum segredo?

E porque me traz este pensamento?


Percebo a solidão da árvore sem par,

Aquela que nem o majestoso vento alcança,

Aquela que não dança,

Aquela que o Outono escolheu

Para lhe tirar a Primavera.



Perco o sentido do vento,

Porque já não o sinto pegar-me a mão,

Para me fazer dançar, para me elevar

No corredor das palavras.

Esqueci.




Rita Pacheco

(8/10/2004)

3 comentários:

Anónimo disse...

As árvores elevam-se como se eleva a tua poesia...

...não esqueças que há sempre uma mão para te pegar.

um beijo
antónio manuel

João Filipe Ferreira disse...

lindissimo:)
participa em www.luso-poemas.net, VAIS ADORAR:)
beijinho

Rita disse...

António e João,

Muito obrigada pelas palavras encorajadoras. São um incentivo forte para continuar.

Beijo,
Rita